Metodologia Editorial
Esta página descreve como selecionamos o que publicamos, como verificamos informações, como atualizamos conteúdo e como distinguimos fatos de interpretação editorial. Não é uma política de privacidade. É uma descrição do trabalho.
Como selecionamos o que publicamos
Um tema entra no Sabor Na Rua quando há documentação suficiente para escrever sobre ele com precisão. “Documentação suficiente” significa: fontes independentes verificáveis, contexto histórico ou cultural que vai além do senso comum, e algo a dizer que não esteja sendo dito melhor em outro lugar.
Para pratos e tradições culinárias, a pergunta é: existe história verificável sobre a origem, a evolução ou o significado cultural deste prato? Para chefs, a pergunta é: existe declaração pública atribuída, reconhecimento por fontes independentes ou posição documentada em um movimento culinário? Para estabelecimentos: há razão editorial para mencionar este lugar além do fato de que existe?
A relevância de busca — o fato de que muitas pessoas pesquisam um determinado termo — não é critério de publicação. É uma informação sobre o que as pessoas querem saber, que pode ou não coincidir com o que temos condições de documentar com qualidade. Quando há demanda mas não há documentação suficiente, não publicamos.
Como verificamos informações
Datas, nomes, afiliações e estatísticas são verificados contra fontes primárias ou secundárias identificáveis: registros institucionais (IPHAN, Senac, universidades), publicações jornalísticas de referência (Folha de S.Paulo, O Globo, Estadão, Prazeres da Mesa, Veja SP), livros acadêmicos e declarações públicas atribuídas ao emissor com data e contexto.
Quando uma informação é amplamente citada mas não encontramos a fonte original, dizemos isso. Exemplos: “a origem exata da feijoada é debatida pelos historiadores” ou “a data de fundação não foi possível verificar em fontes primárias”. Imprecisão declarada é preferível à exatidão não verificada.
Estatísticas — número de restaurantes em uma cidade, volume de produção, percentuais de mercado — são incluídas apenas quando a fonte é identificada. Estimativas sem fonte são descartadas. Se um dado parece plausível mas não temos como verificá-lo, não entra no texto.
Quando não publicamos
Não publicamos quando a única fonte de uma afirmação é o próprio estabelecimento ou pessoa mencionada. Autodeclarações sem corroboração independente — “o melhor da cidade”, “fundado em 1948”, “receita original de família” — precisam de confirmação externa para aparecerem como fato no nosso conteúdo. Se não encontramos essa confirmação, ou não mencionamos o estabelecimento, ou deixamos claro que a informação é autodeclarada.
Não publicamos listas de “melhores” sem metodologia de avaliação explícita. Uma lista implica comparação sistemática que não realizamos. Quando publicamos sobre múltiplos estabelecimentos em um mesmo artigo, deixamos claro que se trata de uma seleção com critério editorial declarado — não de um ranking.
Não publicamos sobre temas onde a informação disponível é insuficiente para escrever com precisão, mesmo que o tema seja relevante. Preferimos não cobrir a cobrir de forma superficial.
Fatos, interpretação editorial e tendências
Nosso conteúdo mistura três tipos de afirmação, e tentamos mantê-las distinguíveis.
Fatos são afirmações verificáveis com fontes identificáveis: o Comida di Buteco foi criado em Belo Horizonte em 2001; o IPHAN registrou o ofício das baianas de acarajé em 2004; o restaurante D.O.M. figura no Latin America’s 50 Best desde 2007. Quando um fato é atribuído a uma fonte, a fonte é identificada no texto ou, quando possível, linkada.
Interpretação editorial é uma leitura fundamentada mas que envolve julgamento: que a cultura de boteco de BH é mais enraizada do que a de outras capitais; que a moqueca capixaba e a baiana são pratos diferentes que compartilham o nome. Essas afirmações têm base documental, mas envolvem análise — não são fatos no sentido estrito. Quando estamos fazendo interpretação, o texto tende a usar construções como “tende a”, “em geral”, “historicamente” ou “no contexto de”.
Tendências são afirmações sobre o que está mudando no presente. São as mais difíceis de verificar e as que envelhecem mais rápido. Quando descrevemos uma tendência, identificamos a fonte (chef que declarou, publicação que documentou, evento que registrou) e incluímos a data. Uma tendência de 2023 não é necessariamente a realidade de 2026.
Como atualizamos o conteúdo
Artigos sobre pratos e tradições culinárias — a origem do acarajé, a história da moqueca capixaba, a tradição da feijoada no sábado — têm informação que muda lentamente. Esses artigos são revisados quando surge nova documentação acadêmica ou jornalística relevante, ou quando identificamos um erro.
Artigos sobre tendências, chefs e movimentos contemporâneos envelhecem mais rápido. Identificamos a data de publicação e, quando revisamos, atualizamos o campo dateModified no código — não apenas a data exibida — para que sistemas de indexação reflitam a atualização real. A data modificada não é alterada por mudanças editoriais menores (correção tipográfica, ajuste de formatação): apenas por atualizações de conteúdo substantivas.
Estabelecimentos mudam: fecham, mudam de endereço, mudam de chef. Quando temos informação confiável de que algo mudou, atualizamos ou removemos a referência. Não temos capacidade de monitorar sistematicamente todos os estabelecimentos mencionados — erros e desatualizações existem e são corrigidos quando identificados.
Erros e correções
Erros acontecem. Quando identificamos um erro factual — uma data errada, um nome incorreto, uma afirmação que não se sustenta — corrigimos o texto e, se o erro era significativo, adicionamos uma nota de correção com a data.
Sugestões de correção podem ser enviadas pelo formulário de contato. Erros factuais com fonte identificada são corrigidos. Discordâncias de interpretação editorial são lidas mas não necessariamente geram alteração.
Para entender o escopo do projeto — o que cobrimos, o que não cobrimos e por que existe o Sabor Na Rua — ver a página Sobre o Sabor Na Rua.